segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Isso e a falta de assunto interessante. Mas aviso já que vou continuar.
A avaliar pelos quatro últimos posts, é notório o meu esforço por esquecer que o Natal este ano tem assim um saborzinho meio agridoce.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
De hoje a um mês (II)
De hoje a um mês, por esta hora, vou estar agarrada à barriga, a dizer que não devia ter comido tanto. E depois rebolo até aos frutos secos, agarro num punhado de avelãs e sento-me confortavelmente a saborear uma a uma.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
De hoje a um mês (I)
De hoje a um mês, por esta hora, vou estar a ultimar os preparativos para a Noite de Natal. Antes de sair de casa, verificar se não falta nenhum presente, enviar as mensagens natalícias que já devia ter enviado há 5 horas, não esquecer a máquina fotográfica. Olhar para o relógio "Estás atrasada, despacha-te". E finalmente sentar no carro e ouvir bem alto a Mariah a cantar "All I Want For Christmas Is You" (não dá para mais porque a viagem só demora mesmo 4 minutos).
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Depois dos beijos e do abraço apertado à minha Avó que é mais baixa do que eu e fácil de envolver, e depois dos "adeus" acenados à janela enquanto não chego ao carro, sentada já ao volante, liguei o rádio no momento em que começava a tocar "When I Fall In Love", na voz ternurenta de Nat King Cole. Aumentei o volume, procurei os óculos de sol na carteira e iniciei viagem. E aumentei um bocadinho mais o volume a pensar na minha avó que eu sei que gosta de ouvir Nat King Cole.
"When I fall in love it will be forever
Or I’ll never fall in love"
Or I’ll never fall in love"
Mais à frente, dois carros parados, à espera de uma brecha para entrar na via de sentido contrário ao nosso, é preciso ultrapassar porque algo impede a circulação normal. Uma ambulância parada na estrada, junto do passeio e de um aglomerado de gente. Passa o primeiro carro e logo a seguir o segundo. Depois vou eu, não sem antes ver que alguém está a ser assistido ali mesmo, no chão daquela rua.
"In a restless world like this is
Love is ended before it’s begun
And too many moonlight kisses
Seem to cool in the warmth of the sun"
Love is ended before it’s begun
And too many moonlight kisses
Seem to cool in the warmth of the sun"
Sigo o meu caminho, poucas centenas de metros à frente uma pessoa caminha apressadamente e pára no meio da estrada, a fazer não sei o quê e abrando, não vem nenhum carro atrás. É um rapaz, está a fotografar as outras pessoas, quatro ou cinco, à porta do edifício que eu reconheço. É a Conservatória do Registo Civil. Páro o carro, dou passagem ao casal, ele leva uma bebé ao colo. No chão daquela rua chovem pétalas e arroz pelas mãos das duas raparigas que fazem a festa do casamento. O casal agradece, sorridente. E eu sorrio ainda mais.
"When I give my heart it will be completely
Or I’ll never give my heart
And the moment I can feel that you feel that way too
Is when I fall in love with you."
Or I’ll never give my heart
And the moment I can feel that you feel that way too
Is when I fall in love with you."
Até que a força do sorriso se transforma num nó na garganta tão repentino, tão intenso e tão imediato que o choro explode. Foi assim que cheguei a casa, sem saber explicar muito bem porquê, de pintura borratada e olhos inchados.
"And the moment I can feel that you feel that way too
Is when I fall in love with you."
"And the moment I can feel that you feel that way too
Is when I fall in love with you."
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Essa grande ciência
Está uma senhora na Praça da Alegria a ensinar a estender roupa.
No rodapé lê-se: "Estender a roupa. Conheça todos os segredos"
F&%$. E eu não arranjo trabalho. Por exemplo, sou tão boa na organização de roupeiros.
No rodapé lê-se: "Estender a roupa. Conheça todos os segredos"
F&%$. E eu não arranjo trabalho. Por exemplo, sou tão boa na organização de roupeiros.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Do desemprego
Daqui a poucas semanas vai fazer um ano que estou desempregada. Neste tempo que passou, já enviei centenas de CVs, cartas de apresentação e emails mais ou menos personalizados, entre candidaturas espontâneas, respostas a anúncios e 'endereço do amigo do amigo que conhece alguém'. Fui chamada para poucas entrevistas, ainda assim, das mais ridículas às mais profissionais, das mais enganadoras às mais sérias, das 'o que é que estou aqui a fazer' às 'eu gostava de ficar aqui'.
Nestas andanças, percebi que mais difícil do que a entrevista em si, é poder depois conversar abertamente com as pessoas e opinar sobre ao que fui...
Perguntaram-me (ainda no telefonema pré-entrevista) se tinha filhos, que muitas vezes teria de ficar bem para lá da hora de saída e que portanto... ; em boa verdade, agora que recapitulo, a questão dos horários para lá dos estípulados foi abordada em praticamente todos os sítios a que fui; ouvi que um CV que apresente um desempregado há mais de 6 meses começa a criar uma certa relutância aos empregadores e que isto piora quando a data de nascimento revela (os meus) 31 anos de idade; transmitiram-me de sorriso nos lábios que pouco mais do que o ordenado mínimo era uma grande oportunidade; respondi para administrativa do departamento de marketing e saí de uma entrevista para vendedora; preenchi questionários cujas respostas estavam chapadas no CV previamente enviado. E em alguns minutos, é do que me lembro.
Durante os anos que trabalhei, não houve uma tarefa que ficasse por terminar porque estava na hora de saída. Foram muitas as vezes em que houve necessidade de ficar mais uma, duas horas para lá das 18h30 e isso permitiu-me vir para casa com a sensação de dever cumprido. No entanto, daí a achar que este deva ser um hábito, vai uma grande distância. Não é correcto, não é justo, não é saudável. E eu não tenho marido nem filhos, não sei o que é trabalhar sem horário de saída, voltar para casa e ser mulher e mãe.
Se estou desempregada há mais de 6 meses, é porque em 6 meses não consegui arranjar trabalho, não porque não quis arranjar trabalho. Devo ir alterando a data de desemprego no CV?
Quanto aos meus 31 anos, neste momento interessa há quanto tempo eu existo ou aquilo que eu fiz no tempo da minha existência? 31 anos é idade demais para trabalhar?
Eu sei que nesta altura há muitas pessoas que gostavam de ter a oportunidade de trabalhar e ganhar o ordenado mínimo. Eu própria, sabendo que este valor não cobre as minhas despesas mensais (que incluem uma renda), terei de arranjar um segundo trabalho se assim tiver de ser. Mas não me digam, nem a ninguém, que o ordenado mínimo é um euromilhões, não façam pouco das vidas que não conhecem.
O resto, nem comento. Anúncios enganadores e entrevistas para fazer número "não têm explicação", como diria uma amiga.
Eu percebo, sinto na própria pele, que estamos em crise. Que o desemprego abunda e cresce de dia para dia, que os tempos estão francamente difíceis e que arranjar trabalho é complicado. Sei também que devemos agarrar as oportunidades com toda a força. Mas, sinceramente, enquanto desempregada, deparo-me com uma outra crise quase tão grave e que contribui mais para o meu desalento. É uma crise de valores e de carácter que faz com que as pessoas tenham comportamentos e atitudes que roçam a maldade.
Assim, quando eu contar as minhas entrevistas, se por acaso criticar alguma coisa com a qual não concordo ou acho incorrecta, não cuspam um imediato "tens que te sujeitar". Porque eu sei bem onde estou, tenho os pés bem assentes na terra e sei que o mais provável é "ter que me sujeitar". Mas ainda não chegou o dia em que eu não saiba distinguir o certo do errado e mais longe ainda está aquele em que a liberdade de expressão me foi roubada.
Nestas andanças, percebi que mais difícil do que a entrevista em si, é poder depois conversar abertamente com as pessoas e opinar sobre ao que fui...
Perguntaram-me (ainda no telefonema pré-entrevista) se tinha filhos, que muitas vezes teria de ficar bem para lá da hora de saída e que portanto... ; em boa verdade, agora que recapitulo, a questão dos horários para lá dos estípulados foi abordada em praticamente todos os sítios a que fui; ouvi que um CV que apresente um desempregado há mais de 6 meses começa a criar uma certa relutância aos empregadores e que isto piora quando a data de nascimento revela (os meus) 31 anos de idade; transmitiram-me de sorriso nos lábios que pouco mais do que o ordenado mínimo era uma grande oportunidade; respondi para administrativa do departamento de marketing e saí de uma entrevista para vendedora; preenchi questionários cujas respostas estavam chapadas no CV previamente enviado. E em alguns minutos, é do que me lembro.
Durante os anos que trabalhei, não houve uma tarefa que ficasse por terminar porque estava na hora de saída. Foram muitas as vezes em que houve necessidade de ficar mais uma, duas horas para lá das 18h30 e isso permitiu-me vir para casa com a sensação de dever cumprido. No entanto, daí a achar que este deva ser um hábito, vai uma grande distância. Não é correcto, não é justo, não é saudável. E eu não tenho marido nem filhos, não sei o que é trabalhar sem horário de saída, voltar para casa e ser mulher e mãe.
Se estou desempregada há mais de 6 meses, é porque em 6 meses não consegui arranjar trabalho, não porque não quis arranjar trabalho. Devo ir alterando a data de desemprego no CV?
Quanto aos meus 31 anos, neste momento interessa há quanto tempo eu existo ou aquilo que eu fiz no tempo da minha existência? 31 anos é idade demais para trabalhar?
Eu sei que nesta altura há muitas pessoas que gostavam de ter a oportunidade de trabalhar e ganhar o ordenado mínimo. Eu própria, sabendo que este valor não cobre as minhas despesas mensais (que incluem uma renda), terei de arranjar um segundo trabalho se assim tiver de ser. Mas não me digam, nem a ninguém, que o ordenado mínimo é um euromilhões, não façam pouco das vidas que não conhecem.
O resto, nem comento. Anúncios enganadores e entrevistas para fazer número "não têm explicação", como diria uma amiga.
Eu percebo, sinto na própria pele, que estamos em crise. Que o desemprego abunda e cresce de dia para dia, que os tempos estão francamente difíceis e que arranjar trabalho é complicado. Sei também que devemos agarrar as oportunidades com toda a força. Mas, sinceramente, enquanto desempregada, deparo-me com uma outra crise quase tão grave e que contribui mais para o meu desalento. É uma crise de valores e de carácter que faz com que as pessoas tenham comportamentos e atitudes que roçam a maldade.
Assim, quando eu contar as minhas entrevistas, se por acaso criticar alguma coisa com a qual não concordo ou acho incorrecta, não cuspam um imediato "tens que te sujeitar". Porque eu sei bem onde estou, tenho os pés bem assentes na terra e sei que o mais provável é "ter que me sujeitar". Mas ainda não chegou o dia em que eu não saiba distinguir o certo do errado e mais longe ainda está aquele em que a liberdade de expressão me foi roubada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

